Hanseníase: preconceito dificulta ações e doença vem aumentando no Brasil

O Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase no mundo. Em 2018, foram registrados mais de 27 mil novos casos, segundo o Ministério da Saúde. Isso representa mais de 93% das ocorrências registradas em países das Américas.

Existem doenças que se diferem principalmente pelo preconceito que causa na população. A hanseníase é uma delas, também chamada de lepra ou mal de Hansen é considerada a enfermidade mais antiga da humanidade. Desde 4.000 anos a.C, nos papiros do antigo Egito Já se encontram registros. Para os hebreus a lepra, como era chamada, era considerada uma maldição, um castigo divino, citada inclusive pela bíblia. O estigma, a discriminação com a doença e com quem sofre a ação em seu corpo, foram construídos pela associação do termo lepra às deformidades causadas ao paciente. Como não havia cura para a doença, o enclausuramento e a exclusão dos doentes do convívio social eram a única alternativa.

Discriminação

No Brasil, a doença chegou junto com a colonização e instituições como a igreja mantinham os leprosários com o intuito de amparar os doentes, já que não existia uma política de saúde pública. Entretanto, a terminologia hanseníase, segundo o Ministério da Saúde, é iniciativa brasileira para minimizar o preconceito secular atribuído à doença, adotada pelo Ministério da Saúde em 1976. Com isso, o nome ‘Lepra’ e seus adjetivos passaram a ser proibidos no país, mas isso não eliminou o distanciamento que as pessoas mantém do doente com a hanseníase, que só pode ser vencido com o conhecimento da doença e a conscientização.

Janeiro Roxo alerta para o diagnóstico precoce

Por isso, no mês de janeiro (Janeiro Roxo), são promovidas ações de conscientização sobre a hanseníase: O ‘Dia Nacional de Combate e Prevenção’, acontece no último domingo do mês. Dados do Ministério da Saúde apontam que atualmente, o Brasil é o país em segundo lugar com mais casos da doença, atrás somente da Índia. Por ano, são registrados perto de 30 mil casos nos vários estados brasileiros. Cerca de 6% deles acometem crianças e adolescentes, somando aproximadamente 2 mil pacientes. Destes, 7% (140, em média) são diagnosticados com alguma sequela relacionada à doença. “O diagnóstico precoce, prevenção e quebra da cadeia de transmissão, em razão da gigantesca endemia oculta mundial que estamos vivenciando há alguns anos são armas importantes”, alertou o dermatologista Claudio Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH).

Principais sinais e sintomas da hanseníase

Doença tropical negligenciada, infectocontagiosa crônica, se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos e diminuição de força nas mãos e nos pés. É transmitida por um bacilo por meio do prolongado entre as pessoas. Veja os principais sintomas:

  • Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.
  • Áreas com diminuição dos pelos e do suor.
  • Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas. Inchaço de mãos e pés.
  • Diminuição sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.
  • Úlceras de pernas e pés.
  • Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
  • Febre, edemas e dor nas articulações.
  • Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz.
  • Ressecamento nos olhos.
  • FICA O ALERTA: quando descoberto tardiamente, a hanseníase pode trazer deformidades e incapacidades físicas.

    Prevencão

    Não poderíamos deixar de enfatizar que, a exemplo de outras doenças, a prevenção também tem um papel fundamental na evolução da hanseníase, uma vez que a doença é transmitida de uma pessoa doente que não esteja em tratamento para uma pessoa saudável suscetível. É importante conscientizar os familiares e pessoas próximas a um doente a procurarem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação, quando for diagnosticado um caso de hanseníase na família. Dessa forma, a doença não será transmitida nem pela família nem pelos parentes próximos e amigos. A hanseníase tem cura, mas pode causar incapacidades físicas se o diagnóstico for tardio ou o tratamento não for realizado adequadamente, pelo período recomendado pelo médico, já que atinge pele e nervos.

    A idade é um fator que também deve ser considerado, pois quanto mais tempo de exposição da pele ao sol, mais envelhecida ela fica, aumentando também a possibilidade de surgimento do câncer não melanoma. O câncer de pele é mais comum em adultos entre 30 a 60 anos, com picos de incidência por volta dos 40 anos. No entanto, com a constante exposição de jovens aos raios solares, a média de idade dos pacientes vem diminuindo. É importante a avaliação frequente de um especialista (dermatologistas) para acompanhamento das lesões cutâneas. A análise da mudança nas características destas lesões é de extrema importância para um diagnóstico precoce. O dermatologista tem o papel de orientar uma proteção adequada para descobrir os possíveis riscos que os raios solares de verão podem causar na pele.

    Como prevenir as deficiências e incapacidades físicas causadas pela Hanseníase?

    A prevenção de deficiências e incapacidades não deve ser dissociada do tratamento. As ações de prevenção de incapacidades físicas fazem parte da rotina dos serviços de saúde e recomendadas para todos os pacientes. A avaliação neurológica deve ser realizada:

    • No início do tratamento
    • Áreas com diminuição dos pêlos e do suor.
    • A cada 3 meses durante o tratamento, se não houver queixas
    • Sempre que houver queixas, tais como: dor em trajeto de nervos, fraqueza muscular, início ou piora de queixas parestésicas
    • No controle periódico de pacientes em uso de corticóides, em estados reacionais e neurites.
    • Na alta do tratamento.
    • No acompanhamento pós-operatório de descompressão neural, com 15, 45, 90 e 180 dias.

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